Cinco anos depois de seu último game, o Agente 47 retornou em Hitman Absolution com a intenção de trazer a fórmula de relativo sucesso da série aos tempos pós - Assasins Creed. Na E3 2012, a Square-Enix escancarou o desejo
de retomar a bandeira do gênero com ações de marketing que envolviam
placas com o logo dos Assassinos cruzado com um "X" carregadas por
carecas de terno e a frase "o assassino original está de volta". Mas será que conseguiram?
A comparação é desnecessária. Fora a presença de matadores como protagonistas, os games têm muito pouco em comum. Enquanto Assassin's Creed tem como pontos fortes o mundo aberto e possibilidades de atividades nele, o foco de Hitman Absolution, muito mais linear (e difícil) é mesmo em matar os alvos à frente. E nesse sentido, o jogo faz bonito.
As amplas (e graficamente belas) fases no estilo "sandbox"
(delimitadas geograficamente, mas repletas de ferramentas e
possibilidades) têm uma mecânica extremamente desafiadora, mas confortável.
Os controles e as regras, afinal, são bastante claros e os diversos
níveis de dificuldade tornam a experiência adaptável a qualquer tipo
de jogador. No mais difícil deles, nenhum tipo de ajuda é oferecido e
os inimigos reagem com inteligência extrema, "sacando" o Agente 47 à
distância.
O movimento e o sistema de cobertura pegam emprestadas mecânicas dos
bons jogos em terceira pessoa, somando a elas um sistema de marcação
de alvos para tiros em câmera lenta reminiscente de Red Dead Redemption e Max Payne.
Com o básico bem definido, sobra espaço para o que realmente
interessa, a mecânica de furtividade e infiltração, que inclui um
sistema de disfarces interessante (que só é um tanto forçado
graficamente, já que troca as roupas por "magia", sem realismo) e o
apoio do "Instinto", uma maneira de enxergar os caminhos dos NPCs,
seu posicionamento e itens de interesse no cenário. Já as multidões
servem para ocultar o personagem e seu visual e funcionamento é
absurdamente orgânico. São centenas de pessoas dividindo espaço em
feiras-livres, estações de trem, um bairro chinês e outros cenários
cuidadosamente calculados para deixar o jogador doido com tantas
maneiras de se chegar ao seu alvo.
Ao final de cada fase, o jogo pontua a performance do Agente 47 com
base em diversos critérios. Ele foi visto alguma vez? Deixou pistas?
Corpos sem esconder? Usou quantos itens? Foi inventivo? Vestiu
quantas roupas? Matou inocentes? As respostas aí costumam ser tão
decepcionantes que o replay de cada fase torna-se quase que uma
necessidade. Em Hitman Absolution você QUER ser um assassino
melhor e precisa experimentar todas as possibilidades para desfrutar
de tudo o que o jogo tem a oferecer. A diversão é garantida.
A mecânica compensa a trama simplista, que vez por outra é forçada
goela abaixo do jogador, mesmo que ele esteja totalmente desinteressado
nela. Tudo bem que os cenários sejam costurados por cut-scenes
superficiais, que podem ser ignoradas, mas quando a história precisa
ser avançada através das piores missões do game (escapar da polícia
é chato demais), o jogo perde pontos. Deixa de ser sobre observação
e planejamento de estratégias para cumprir com louvor seu objetivo e
torna-se um esconde-esconde sem propósito.
O sistema de checkpoints também merece críticas. Não há
como gravar o jogo e os pontos em que você pode retornar nas fases
são muito poucos - e precisam ser localizados dentro do mapa, que
muitas vezes é segmentado demais, o que tira a integridade da missão.
É, definitivamente, a pior coisa de Hitman Absolution e muitas
vezes pode ser extremamente frustrante, já que inimigos ressurgem e
você frequentemente se vê surgindo em meio a uma situação chata de
contornar.
Fora do modo de história existem os Contratos.
Esse modo permite que qualquer cenário seja reformulado para incluir
outros tipos de assassinato para personagens diferentes dos da
campanha. Você pode criar
o seu - e outros jogadores online terão o seu sucesso avaliado com
base nos parâmetros que você criou - ou seguir um dos diversos
inventados por outros jogadores ou pela equipe de desenvolvimento da IO Interactive.
Copyright @ 2013 Real Mídia. Designed by Templateism | MyBloggerLab