Super Águias completam o Grupo B da competição, que será disputada no Brasil em junho, ao lado de Espanha, Uruguai e Taiti
Sensação do futebol africano entre os anos 90 e a primeira década da
virada do milênio, com participações em quatro das últimas cinco edições
da Copa do Mundo, a Nigéria voltou a ter protagonismo neste domingo. As
Super Águias venceram Burkina Faso por 1 a 0, conquistaram a Copa
Africana de Nações pela terceira vez e, consequentemente, garantiram
vaga na Copa das Confederações, que vai ser disputada entre os dias 15 e
30 de junho deste ano no Brasil.
A vaga africana foi a última a ser preenchida na competição. A Nigéria
entra no Grupo B ao lado de Espanha, Uruguai e Taiti. A estreia será no
dia 17 de junho contra os taitianos no Mineirão, em Belo Horizonte. A
seleção africana poderá enfrentar o Brasil apenas na fase final, mas há
uma péssima lembrança para os brasucas caso o confronto aconteça: as
Águias venceram a Seleção por 4 a 3 nas semifinais das Olimpíadas de
1996 e acabaram ficando com a medalha de ouro. Na cerimônia de entrega
das medalhas, os brasileiros, que ficaram com o bronze, não subiram ao
pódio.
Águias felizes: nigerianos comemoram o gol do título continental (Foto: AFP)
Nigéria domina e, mesmo com falhas, chega ao gol
No primeiro tempo, a Nigéria permitiu-se deixar a defesa desprotegida
para priorizar o ataque. Foi dominante durante os 45 minutos iniciais,
mas nem tão brilhante na criação de jogadas. As duas equipes erraram
incontáveis passes. No caso dos nigerianos, especialmente o último.
Faltava às Águias a única qualidade de Burkina Faso: um homem de
referência no ataque, no caso, Bancé, único a arriscar alguma coisa
pelos Garanhões.
Brown teve uma chance espetacular para abrir o placar para a Nigéria
aos nove minutos. Após cobrança de escanteio, o goleiro Diakité saiu mal
do gol e deixou a bola escapar. Brown ficou com o rebote, mas, mesmo
diante do gol vazio, chutou por cima do travessão. As melhores chances
dos nigerianos foram criadas pelas pontas, especialmente pela direita,
uma verdadeira avenida.
Torcedores da Nigéria fazem a festa em Joanesburgo (Foto: AFP)
Moses tinha liberdade para atuar pelos dois lados e deu trabalho a
Diakité, como aos 19 minutos, quando cruzou e obrigou o arqueiro rival a
defender em dois tempos. O primeiro chute de Burkina Faso foi feito
apenas aos 24 minutos. Bancé arriscou de fora da área, mas a bola passou
longe dos postes. Três minutos depois, o grandalhão cobrou falta e,
desta vez, a bola passou mais perto do gol.
Mas o jogo estava feio. Nos dois lados, todos os passes saíam com muita
força e os atacantes ou tinham que correr muito para tentar dominá-la
ou não conseguiam manter o controle. Foi justamente numa jogada em que a
bola foi tratada com rispidez que nasceu o gol nigeriano. Aos 39
minutos, Moses tentou chutar, a bola bateu na defesa e subiu, sobrando
para Mba, que deu um lençol em Koffi e, sem deixar a bola cair, chutou
para o fundo da rede. Um belo gol, apesar de tudo.
Sunday Mba foi o autor do gol do título Nigéria não marca, leva susto, mas confirma a vitória
Na segunda etapa, Moses e Conté seguiam como as principais atrações. O
burkinense teve duas tentativas nos dez minutos iniciais, mas novamente,
os tiros saíram pela culatra. A partida ficou mais equilibrada com o
passar do tempo e com o aumento do desespero dos Garanhões. A Nigéria
quase pagou um preço alto demais por não transformar a superioridade em
gols.
Aos 27 minutos, Musa recebeu um ótimo passe dentro da área. Poderia ter
chutado de primeira, parado, pensado, tomado um chá para escolher com
calma qual parte do pé seria a mais eficiente para o chute... estava
tudo fácil demais. Tão fácil que o jogador caiu sozinho antes de receber
a bola. Na jogada seguinte, Burkina Faso por pouco não o castigou.
Nakolma, com um bom passe por trás da defesa, deixou Sanou em ótimas
condições. O burkinense chutou cruzado, mas o goleiro nigeriano
conseguiu evitar o gol, se esticando para fazer a defesa com a ponta dos
dedos. Foi a melhor chance de Burkina Faso na partida. A seleção tentou
alguns contra-ataques, mas raramente incomodava Diakité. Título
merecido para as Águais, que voltaram a honrar o prefixo "Super".
Figurantes fazem forma do continente africano na cerimônia de encerramento da competição